16 marços

| Nenhum comentário · Comentar

Quando eu acordei hoje, o Face me lembrou de alguns textos meus escritos exatamente em 16 de marços dos ultimos anos. Ironicamente (tenho vaga lembrança de que foi de propósito) todos eles abordam a mesma temática: a eternidade. Encontrei desde um texto mais profundo, onde tinha uma imagem clara de como a expectativa do que ainda não se há gera certo desejo de se ter, até uma poesia bem pessoal e sincera dedicada ao Eterno.

Por acaso essa semana eu compartilhei com certa pessoa (rç) algumas coisas observadas durante a vida, durante os tempos que voam quando se passa conversando com quem se gosta e sobre se perder nos ponteiros do relógio. Inclusive disse que iria escrever sobre isso, e não há data melhor para isso do que hoje.

Tenho certeza de que não raras vezes você passou por momentos assim: momentos que duraram muito no relógio, mas deixou uma sensação de ter sido tão pouquinho que você nem acreditou no final. Também já deve ter passado por outras situações onde os poucos segundos foram gigantes, como se naquele exato momento cada segundo tivesse durado uma eternidade.

Essas fisgadas temporais que acontecem são no mínimo curiosas. Revelam que existe alguma outra forma de ponderar sobre o tempo que não é tão precisa ou melhor, não é tão "daqui". Diante da regularidade da passagem do tempo - os milissegundos, os segundos, os minutos, as horas, os dias, etc. - nossa percepção tão enfaticamente acostumada bamboleia. Ela é cativada por algo que excede o maior e mais intacto rigor matemático.

É interessante observar, por exemplo, que experimentamos coisas análogas - que nos repelem do comum - quando experimentamos um pouco da bondade, um pouco de amor, um pouco de alegria e todas as coisas boas da vida. Jesus, um dia, confrontando um homem contaminado por suas próprias obras, disse que somente Deus é bom. Eu compreendo como Jesus, e sei que o fato de Deus ser totalmente bom se reflete na criação - por graça - de alguma forma.

Se somente Deus é bom, não há nenhum indício de bondade nascida em nós com base em nós mesmos. Se por acaso fazemos algo bom, isso é relfexo imediato da bondade do nosso criador - e não nossa. Podemos, portanto, experimetar aspectos da bondade de Deus indiretamente na criação (incluindo a humanidade). Isso não significa, porém, que nos saciaremos e conheceremos a plenitude de Deus através de coisas assim, mas certamente nos dão ao menos um senso incrível da bondade de Deus, e de como beber da fonte nos satisfaria totalmente, a ponto de repetir o que o pequeno Davi disse - O Senhor é o meu pastor e de nada mais tenho falta.

Isso não acontece só com a bondade, mas também com todos os outros atributos comunicáveis de Deus.

Eu creio que a eternidade não é um atributo incomunicável justamente por esses momentos onde podemos beber de algo análogo a eternidade. O tempo e o espaço existem nela. O ensino judaico, e alguns teólogos dos primeiros séculos, se referiram a isso como "geração uterina". É como se existisse um espaço criado na eternidade onde o próprio tempo foi codificado e a própria criação recebeu seus limites.

Daqui de dentro, porém, quando vivenciamos coisas lindas, acredito que conseguimos, metaforicamente, ouvir o eco da eternidade. É como se a verdade da eternidade que excede a própria existencia, o próprio espaço, o próprio tempo, a própria matéria, balbuciasse ao nosso espírito e doasse um pouquinho de si. Apenas uma gotinha, um respingar, uma ideiazinha tão pequena de como será a eternidade, que já redime ligeiramente nosso semblante. E como nossas feições e afeições precisam ser cotidianamente redimidas - creio que elas são.

Portanto, quando estiver conversando com alguém, fazendo algo, recebendo algo, e naturalmente acontecer aquele ausentar-se de si e desprendimento do tempo, lembre-se - talvez Deus tenha compartilhado com você um pouquinho da eternidade que ele quer te apresentar e te convidar para continuar sua existência lá. Enquanto isso, aproveite a existência desses fagulhos de eternidades, dessas pequenas doses de eternidade temporal.

#ps1: to sem tempo pra reescrever coisas que possam ter ficado não entendíveis ou ainda precariamente entendíveis, volte amanhã que esse texto estará melhor.

#ps2: eu amo tempos onde o tempo se destemporiza. ❤

markinhos.com