Queria, do autor, não uma dedicatória exclusiva. Não uma citação de rodapé e nem um pormenor que indiretamente fizesse minhas referências. Não queria nada que me apontasse como seu objetivo, tampouco algo que me pusesse como objeto de suas ações ou intenções.
Vê-lo me bastaria. Breves segundos para respirar vigorosamente antes que o ar me faltasse enquanto meus olhos sequer piscariam diante do ápice de seu mais pleno gozo.
E se meu olhar fosse correspondido - num inundar de sua graça, sentiria a mais sublime sensação de ter minha alma violada pela verdade que jorra de seus olhos. Certamente eles inundariam os meus que copiosamente seriam voluvelmente enxarcados. Esgotariam minhas forças, esgotaria-me a razão, e meus hesitantes joelhos instantaneamente se renderiam ao pó.
Todas as coisas preciosas demais para mim e que tiveram minha vida inteira de cuidado seriam sumariamente esquecidas, prontamente secundarizadas e decididamente abandonadas.
Queria, do autor, não uma dedicatória exclusiva. Mas, nem que seja por um pequeno olhar, a simplória compreensão da pequena vida historiada em minha pequena porção.
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