Digo que as pessoas são poemas,
Alguns silabicamente organizados,
Outros visivelemnte sem tantas regras
Outros tão curtos como uma palavra
Porém nota-se poesia em todos,
E por mais que não se queira,
O inspirar veste cada poema de amor
E o monosilábico se torna polisignificado
E o pouco se torna muito,
E a criança se torna sábia,
E o fraco é forte
E o verbo se faz carne.
E esse vestuário está em todos os poemas,
E veste todos, como a pele
Pois integra cada um desses,
Transformando muitos em poesia
Pois o inspirar é o amor,
Que faz a beleza do feio se achar
Que permite até a morte ser boa
E morrer no meu e no teu lugar
Pois o inspirar é o verbo
Que torna todo o sujeito coadjuvante
E todo o substantivo só, vazio
E todo o poema sujo, limpo
Inspire-se, vista-se do inspirar
Pois um dia o próprio amor
Fará cada poema inspirado
Ser colocado lado a lado, em iguais páginas
Sumariados sem nenhum capítulo
E haverão poemas grandes e pequenos,
Mais antigos e recém-criados,
Simetricos e arbitrarios,
Azuis e rosas
Inspire-se, vista-se do verbo.
Pois um dia O próprio Inspirador
Pegará o livro da poesia, o livro da vida
E o lerá
E minha singela poesia estará lá.
E o Inspirador juntará essas vidas,
Em uma única e eterna poesia,
E esta será sem morte e sem dor
Sem sujeitos, sem substantivos
E dos simples poemas nada mais vai restar
Do que o hoje nada simples verbo amor.