Abertos, coloridos, lindos
Mas que nada mais o fazem
Além de somente olhar-me
Olhos que cegos me olham
E acham o que querem achar
Não o que quero mostrar
Nem vêem o amor que em mim há.
Olhos 'azuis-piscinas' rasos e superficiais
Que inibem a vontade de neles mergulhar
De sentir, admirar, aprofundar
Olhos que tão somente querem olhar.
Olhos midiáticos, estagnados
De máquinas que aprendem a racionalizar
E desaprendem o sentir
Deixando de amar, de lacrimejar
Olhos que não vêem a beleza do simples,
E almejam quem almeja exteriorar o fútil.
Olhos que constantemente se perdem
e de vez em quando admiram quem consegue amar
Olhos.
Olhos, são só olhos que me olham
Fechados, amargos, cegos
E tudo o que somente fazem
é robóticamente olhar-me.