(publicado pela primeira vez em 23.01.2008)
Lá vai mais um soldadoVai a guerra, guerrear
vai a luta, lutar
Vai matar e matar
Lá vai mais um RG
Lutar por ideais estatais
Contrariando seus princípios éticos
Favorecendo princípios governamentais
Lá vai mais uma assinatura
De capacete e arma na mão
A filha, em foto, no bolso
Vestido com uma carapaça de robô
Lá vai mais um fantoche
O soldado inumano
Por trás da farda, existe um coração
E dentro do capacete há razão
Lá foi mais um ser humano
Deixou para trás promessas de que voltaria
Deixou para trás a sua vida: Quatro anos de idade,
Boneca na mão, nome Maria
Agora não está mais com a sua família
Seu grupo usa farda, igual ele
Têm armas, igual ele
Um grupo de máquinas humanas
Em seu grupo alguns já dormem para sempre
Outros estão quase dormindo
Todos os que dormem, choram
Ele chorá mas permanece acordado
Todos dormem ali mesmo
Nos seus próprios lencóis de sangue
Com aquela mesma farda
Nem se quer dizem boa-noite
Mas escuta-se, se ouvir bem
Que todos antes de descançar para sempre
Quando ainda estão com as lágrimas salgadas no rosto
Clamam por PAZ! Se perguntam porque!
Mas chegou a hora de dormir
Nosso soldado foi atingido
Está quase pegando no sono
Olha para a foto de Maria, sua vida, e chora
Chora ao preparar seu próprio lençól vermelho
Não por dor, covardia
Chora por não poder cumprir mais sua promessa
Não poderá voltar acordado.
Uma assinatura inválida
Um RG riscado
Um fantoche rasgado
Só, mais, um soldado a menos
É lhe tirado o capacete, a farda
É tirada a arma, deixada a foto
É levado de volta para casa
Esse soldado que dorme não presta mais
Agora está dentro de uma caixa
Sua vida, Maria, de quatro anos, agora chora
Ela ainda está viva, ela ainda acredita
- Papai! Acorda! Vamos brincar...